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Vale-presente no salão de beleza: como vender sem dor de cabeça

Valor, validade, saldo e a mensagem pronta para o Natal

8 min de leitura
Dona de salão entrega um envelope de vale-presente a uma cliente no balcão da recepção, com o salão ao fundo.

"Oi! Vocês vendem vale-presente? É pra minha sogra, ela adora a escova daí." Essa mensagem chega todo fim de ano, e quase sempre a resposta sai na hora, sem regra nenhuma: "vendo sim, quanto você quer colocar?"

Para o vale-presente do salão de beleza não virar dor de cabeça, venda por valor em reais, escreva a validade e a regra do saldo no próprio vale antes de entregar e anote cada um numa lista com código. O dinheiro que entra é serviço que você ainda vai fazer: guarde separado até a cliente usar.

#O vale vira problema quando as regras ficam na sua cabeça

Em dezembro, vender vale parece dinheiro fácil: a cliente paga, leva o cartãozinho e vai embora feliz. O aperto aparece meses depois, quando quem chega com o vale não é quem comprou, não conhece regra nenhuma e você já não lembra o que combinou.

Exemplo

Pense na Patrícia, dona de um salão com três cadeiras (números de exemplo). Em dezembro ela vendeu 20 vales de "uma progressiva" a R$ 200 cada, e os R$ 4.000 foram embora nas contas do mês. Em março o produto subiu e a progressiva passou a custar R$ 240. Doze clientes ainda não vieram: são R$ 2.400 de serviço sem entrar nenhum real, mais R$ 480 de diferença de preço se ela cumprir o que prometeu.

Quase todo problema de vale nasce de quatro situações: o preço do serviço subiu, o vale venceu e a cliente diz que ninguém avisou, sobrou saldo e ninguém sabe quanto, ou a profissional que ia atender saiu do salão. Todas se resolvem antes da venda, com regra escrita e anotação.

#Vale em reais protege você do aumento de preço

Vale de serviço ("uma escova", "uma progressiva") prende você ao preço de dezembro. Vale em reais não: R$ 200 continuam valendo R$ 200 em março, e a cliente usa no serviço que quiser, pelo preço do dia. Quem faz questão de dar um serviço específico pode escrever no cartão "para a sua progressiva", desde que o valor esteja em reais.

Ofereça dois ou três valores fixos, pensados nos serviços que mais saem. Num salão em que a escova custa R$ 70 e a hidratação com escova R$ 120, por exemplo, R$ 100, R$ 150 e R$ 250 cobrem do mimo simples ao dia de beleza. Valor quebrado ("põe R$ 87") complica o controle; se a pessoa insistir, aceite e anote do mesmo jeito.

Se o serviço escolhido custar mais que o vale, a cliente paga a diferença na hora, como em qualquer atendimento. Se custar menos, o que sobra vira saldo, para usar numa próxima visita dentro da validade. "Perdeu o resto" não pode: a Defensoria Pública do Paraná lembra que a loja não fica com a diferença.

#As regras que vão escritas no vale

Não existe uma lei só para vale-presente. Segundo a Defensoria Pública do Paraná (abre em nova aba), ele segue o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil, como qualquer venda: pode ter validade, desde que ela esteja clara antes da compra, e o saldo que sobra é da cliente.

Na prática, as regras vão no verso do vale (ou na mensagem que acompanha o vale digital) e você mostra para quem está comprando antes de receber.

A validade é você quem escolhe. No modelo abaixo ela é de seis meses, o que dá tempo de usar depois das festas; prazo de 30 dias deixa de fora quem ganhou no Natal e só lembrou do vale depois do Carnaval. Do outro lado da balança está o seu caixa: quanto mais longa a validade, mais tempo você carrega serviço já pago.

Regras para o verso do vale

Vale-presente de R$ ___, para usar em qualquer serviço do salão. Válido até __/__/____. Se o serviço custar menos, o saldo fica para a próxima visita; se custar mais, você paga a diferença. Pode ser usado por outra pessoa, basta informar o código. Agende pelo WhatsApp (__) _____-____.

O código também resolve o vale perdido: você confere na lista pelo nome de quem comprou e libera o atendimento, mesmo que a cliente não esteja com o cartão em mãos.

#Uma lista simples segura o controle de todos os vales

Cada vale ganha um código (VP01, VP02...) e uma linha numa planilha ou num caderno. É essa linha que responde, em março, se o vale existe, quanto sobrou e até quando vale. Abra a lista antes de vender o primeiro, com estas colunas:

  • Código do vale.
  • Quem comprou, com o WhatsApp.
  • Para quem é o presente.
  • Valor e data da venda.
  • Validade.
  • Uso: data, serviço e saldo que sobrou.

Separe também o dinheiro. O que entrou com os vales é serviço que você ainda deve: se der, deixe numa conta ou num envelope à parte e passe para o caixa do mês só quando a cliente usar. No exemplo da Patrícia, os R$ 2.400 estariam guardados quando as doze clientes aparecessem em março.

Se você usa a Bellory, o vale-presente é vendido no balcão a partir do plano Básico e aparece na ficha da cliente, na aba de vales. A partir do plano Plus, ele também pode ser comprado pelo BellLink, o link da bio, sem a pessoa precisar passar no salão.

#Como oferecer o vale sem parecer liquidação

Quem mais compra vale é quem já conhece seu trabalho: as clientes fixas, que vão presentear a mãe, a sogra, a amiga. Comece por elas na segunda quinzena de novembro, uma a uma pelo WhatsApp, e só depois poste no Instagram. Mensagem com o nome dela chega antes da correria de dezembro e não disputa espaço com os outros posts de Natal.

Mensagem para as clientes fixas

Oi, [nome]! Este ano estamos com vale-presente para o Natal, de R$ 100, R$ 150 ou R$ 250, para usar em qualquer serviço até junho. Se quiser presentear alguém, me avisa que eu preparo o vale e te mando por aqui mesmo.

Nos stories, um texto curto resolve: "Vale-presente de Natal: R$ 100, R$ 150 ou R$ 250, para usar em qualquer serviço até junho. Peça pelo direct ou pelo WhatsApp." Evite desconto no vale. Ele reduz o que entra hoje e o serviço que você vai fazer depois continua do mesmo tamanho.

Tenha o vale nos dois formatos. Digital (uma arte simples com o valor, o código e as regras) atende quem compra pelo WhatsApp em cima da hora. Impresso, num envelope bonito, é o que a cliente quer para pôr embaixo da árvore.

#Quem chega com o vale é uma cliente nova

Boa parte de quem usa o vale nunca foi ao seu salão. Ela não escolheu você, ganhou você de presente. O atendimento do vale é a chance de ela voltar pagando, e isso se decide no dia:

  • Cadastre nome, WhatsApp e aniversário dela antes de começar.
  • Dê baixa na lista: data, serviço feito e saldo que sobrou.
  • Se sobrou saldo, diga quanto é e até quando vale.
  • No fim, ofereça o próximo horário pelo tempo do serviço: "a escova segura umas duas semanas, quer deixar marcado?"

#Dúvidas sobre vale-presente no salão

A cliente pode pedir o dinheiro do vale de volta?

Se comprou no salão, em regra não: o vale foi a troca combinada. Se comprou fora dele, por link, Pix pelo WhatsApp ou telefone, o art. 49 do Código de Defesa do Consumidor (abre em nova aba) dá 7 dias para desistir e receber o dinheiro. Depois disso, vale o que está escrito no vale.

E se a profissional que ela queria saiu do salão?

O vale é do salão, não da profissional. Ofereça outra profissional para o mesmo serviço e, se ela não quiser, deixe usar o valor em outro serviço. Por isso o vale nunca leva o nome de quem vai atender.

Dá para usar o vale em produto em vez de serviço?

Pode, se você vende produto e deixou isso escrito no vale. Decida antes de imprimir: um vale para serviço ou produto é mais fácil de vender e ajuda a cliente a gastar o saldo que sobra.

O vale venceu semana passada. Aceito?

Se venceu há poucos dias, aceitar costuma sair mais barato que a reclamação, e é uma cliente nova na cadeira. Se venceu há meses, ofereça usar o valor num prazo curto, de 30 dias. Só não mude a regra de cliente para cliente: anote na lista o que decidiu e por quê.

#O que fazer esta semana

  1. Escolha dois ou três valores para o vale, pensando nos serviços que mais saem.
  2. Copie as regras do verso, preencha a validade e o WhatsApp e monte a arte ou mande imprimir.
  3. Abra a lista de controle (código, comprador, presenteada, valor, validade e saldo) antes do primeiro vale vendido.
  4. Separe a lista das clientes fixas para mandar a mensagem na segunda quinzena de novembro.

Assim, quando chegar o "vocês vendem vale-presente?", você responde com os valores e a validade e manda o vale pronto na mesma conversa.

Referências

  1. 1.Vale-presente tem "prazo de validade"? (Defensoria Pública do Paraná, 15/06/2022)
  2. 2.Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/1990, art. 49 (Planalto)
Foto de Bianca Machado

Escrito por

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